Em Nova Iorque, o protesto estava marcado para as 9 de manhã em frente do consulado chinês, junto ao cais de embarque na Circle Line (rua 42 e 12ª av). Fui dos primeiros a chegar. Afinal, alguém tinha posto uma mensagem a circular que tudo ia começar às 11 e por isso poucos ali estavam àquela hora. Mas eu tive uma pontualidade incrível. Foi muito bom, assim pude conversar com as pessoas envolvidas. Cada uma tinha uma história interessante a contar. Até eu, já que à menos de 2 anos estive no Tibete. Aliás, de todos era eu a pessoa que tinha estado à menos tempo lá. Muitos, até, nunca lá tinham estado. Nem é importante. O que interessa é que todos estávamos ali unidos por uma causa. O TIBETE. E o apelo à comunidade internacional para que se consiga que a china acabe com o genocídio na região. Talvez genocídio pareça uma palavra demasiado forte, mas é o que se passa, na realidade. Ao longo de muito tempo, é certo, mas o que é, é para ser dito.
Cantámos o Hino do Tibete, gritamos palavras de ordem, o normal nestas coisas. Não fomos presos. Não fomos afastados do local. Não fomos pressionados a terminar com o protesto. Afinal, a América ainda cheira a liberdade, apesar de, por vezes não parecer. Havia um enorme dispositivo policial à volta do consulado. Por muito que nos enaltecesse o ego, não estava ali por nossa causa. Logo depois dos acontecimentos em Lhasa no inicio de Março, houve alguns protestos violentos à porta do consulado. Resultaram em alguns vidros partidos, uma mancha de tinta cor de sangue na parede e algumas pessoas detidas. Mas a nossa acção foi, obviamente pacífica. Nem se consegue bem misturar violência com Tibete. A menos que se meta o regime chinês no meio. Os Tibetanos são pacíficos e por isso pouca resistência conseguiram fazer ao regime de Pequim desde 1959. Resta-nos a esperança que , devido à exposição mediática dos Jogos Olímpicos se consiga alterar as consciências de quem, no mundo pode forçar o regime a ceder na autonomia do Tibete (não confundir com independência).
O problema maior, para mim, é o mundo estar refém de Pequim. O que se passará a nivel mundial se a china de repente suspender todas as exportações. Perdem muito dinheiro, mas o resultado que conseguiriam justificaria o preço. Estaremos nós preparados para esta possibilidade? É que a economia mundial é tão frágil e volátil e tão dependente de china que não hesitariam em retaliar desta forma.
Esperemos que não, e que tudo seja diferente. Afinal, só queremos que a china cumpra o que anunciou em 1959 mas que nunca o fez. A Libertação Pacífica do Tibete. O que foi feito foi tudo menos pacífico, e pelos vistos, ainda continua a fazer…




























